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controlo de Produção na Impressão Offset
Antes de se dar início ao processo de impressão, o Controlo de Produção
deve proceder à verificação da Ordem de Fabrico (OF), sobretudo para
detectar alterações nas características técnicas que possam ter ocorrido
durante o seu percurso na Pré-impressão (alteração do n.º de páginas,
número de cores, Pantone, formatos, etc.).
Deverão ser verificados todos os elementos que constam na OF e que são
necessários para a execução do trabalho, com o objectivo de evitar
paragens de máquina ou indecisões durante o curso da operação: ozalides,
provas e referências de cor, originais, etc.
Deverão também ser retirados da OF os elementos que não interessam às
fases de produção seguintes: suportes magnéticos, primeiras provas,
maquetas, etc., com o objectivo de tornar o processo de análise da OF
mais célere e sem elementos duvidosos para os impressores e restantes
intervenientes no processo produtivo.
O papel por ser higroscópico deve ser controlado e deve ir para a sala
de impressão aproximadamente 24 horas antes de entrar em máquina, para
que se ambiente às condições da sala. As condições ideais de
armazenamento do papel antes de imprimir são de 20ºC de temperatura
ambiental e 65% de humidade relativa (peso do vapor de água em relação
ao peso do papel). O controlo exacto de humidade permite obter uma
determinada estabilidade nas dimensões do papel em todo o processo de
impressão, suprimindo as dificuldades de produção, permite uma
optimização dos tempos, redução dos desperdícios, controlo da secagem
das tintas e a eliminação da electricidade estática. Para poder
conseguir e manter tais condições é indispensável um bom equipamento de
climatização.
Na impressão offset é necessário saber prever o resultado de um certo
trabalho num certo tipo de papel com uma certa tinta, numa certa
máquina. Portanto, é preciso conhecer as características da máquina para
poder rentabilizá-la ao máximo. O impressor deve ter em conta os cauchús
disponíveis que tendo mais ou menos dureza poderão influenciar a
impressão no momento da transferência da tinta para o papel. A molha
também é muito importante, visto ser ela que impede a tinta de se
depositar nas partes do contragrafismo da chapa. No sistema de molha a
álcool, a solução de molha deverá estar sempre controlada de forma a
obter um valor de pH sempre constante e igual a 5,5.
A relação tinta/papel é muito importante porque ambos se influenciam
mutuamente. As tintas têm propriedades fìsicas como a viscosidade,
brilho, imprimabilidade, tiro, tack, tonalidade, tixotropia, intensidade
e secagem (por absorção, precipitação, evaporação, ou por
oxidação/polimerização). É preciso ter em conta todas estas propriedades
para se obter uma boa relação entre a tinta e o papel. Os papéis muito
absorventes (não revestidos) são ideais para as tintas que secam por
absorção. Os papéis revestidos são ideais para as tintas que secam por
precipitação e por oxidação/polimerização, são as tintas que depois de
secas se tornam muito brilhantes.
Saber as propriedades dos papéis, das tintas, das máquinas e dos
produtos de limpeza é meio caminho percorrido para se obter boa
qualidade de impressão.
Durante a impressão a atenção deverá estar concentrada no controlo de
qualidade através da análise densitométrica das amostras que vão sendo
retiradas periodicamente da máquina de impressão, a fim de se detectarem
possíveis variações do processo, tomando as medidas necessárias
inerentes a cada caso.
É importante manter um nível de qualidade ao longo da impressão com
cores constantes da primeira à última folha. Conseguir um bom registo de
impressão para que os textos e ilustrações fiquem bem definidos e obter
uma impressão que apresente apenas o que deve ser impresso, sem manchas,
estrias, parasitas, etc.
Pode surgir o efeito de deslizamento, arrastamento ou de duplicado e
quase todas as tiras de controlo têm elementos que denunciam estes
efeitos, que são analisados visualmente. Estes fenómenos são derivados
do mau acondicionamento do papel, mau transporte da folha de papel pela
máquina, excesso de molha na impressão, etc.
O controlo do grafismo impresso é constituído por vários parâmetros
importantes que é preciso conhecer para tornar mais fácil a obtenção da
qualidade pretendida. Estes parâmetros são: densidade, ganho de ponto,
contraste, trapping, erro de tinta ou erro de tom e ganho de cinzento.
Todos têm valores-padrão pelos quais se devem orientar. Quase todas as
tiras de controlo têm elementos necessários para efectuar as medições
destes parâmetros e a análise poderá ser visual ou por densitómetro,
sendo este último o mais recomendado porque dá os valores exactos sem a
subjectividade da avaliação humana.
Por vezes, após a impressão, a tinta ainda não secou à saída da máquina
e no empilhamento das folhas impressas a película de tinta deposita-se
no verso da folha seguinte. A este fenómeno dá se o nome de repinte que
inutiliza essas folhas porque se dá um esmagamento da tinta pelas folhas
sobrepostas. Para evitar que isso aconteça utiliza-se um pó
anti-repinte, embora não seja aconselhável a sua utilização em excesso.
Um bom controlo da produção na impressão equivale à capacidade de
executar diversas vezes o mesmo trabalho, chegando sempre ao mesmo
resultado. Isto só é possível com a ajuda de métodos e sistemas de
medição e controlo precisos e com o aperfeiçoamento dos conhecimento dos
materiais por parte do pessoal, estabelecendo parâmetros e uma
metodologia global que assegurem uma conjugação de esforços no sentido
de obter um desejado nível de qualidade, ao mesmo tempo que se considera
imprescindível a operacionalidade e o rendimento uniforme dos
equipamentos através de uma manutenção adequada e a adopção de um
critério de uniformidade para as matérias-primas.
Artigo de
Rui
Sebrosa

Comentários:
Tanto quanto é do meu conhecimento o
ph da molha deverá situar-se entre
4.8 e 5.2 achando que o valor de 5,5
será um pouco elevado.
José Cruz
Sou um professor técnico em Artes Gráficas contratado para dar
aulas na ECA-USP.
Acho excelente o seu artigo sobre o controle na impressão offset. E
acredito que ph sofre alteração conforme a região do mundo em que
está sendo usada. Estarei confirmando que o ph está OK, tal como é
usado no Brasil.
Samuel Lincon Silvério
Nem um, nem outro têm razão o valor do ph de impressão está sujeito
não ao tipo de região, nem a valores pré-definidos já que estes
dependem não só da relação água-tinta, mas também da chapa
utilizada. Um ph demasiado ácido < 5 poderá branquear algumas marcas
de chapas. Assim sendo, a ficha técnica que obrigatoriamente o
vendedor de chapas deverá fornecer, ditará o seu ph neutro.
Um dos grandes problemas que surgem nas gráficas advém da má
utilização do ph da molha, deteriorando a chapa em metade das
impressões que são capazes de fazer.
E para quem não sabe como subir o ph: aconselha-se a utilização de
bicarbonato de sódio;
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