Crise: a palavra da hora...
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Thomaz Caspary*
2008-12-26
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Passaram-se muitas semanas desde que se instalou o
que alguns chamam de “turbulência”, outros de “crise”, outros ainda
de “caos generalizado”. Estas palavras têm tomado quase todo o
espaço do jornalismo econômico em todo mundo e neste momento não há
dúvida de que a nossa economia será mesmo contaminada. Não sabemos
ainda como, por quanto tempo ou mesmo quais os setores que mais
serão atingidos. Muitos empresários gráficos que adquiriram
equipamentos (e não foram poucos) em euros ou em dólares, estão
quebrando a cabeça de como honrar as dívidas assumidas. Sabemos, no
entanto, que seremos afetados menos do que os países desenvolvidos.
Pelo que podemos ler em jornais de todo mundo, o Brasil crescerá
menos, porém continuará crescendo, ao contrário dos Estados Unidos e
da maioria dos países europeus que ficarão estagnados em seu
crescimento ou terão até um crescimento negativo.
O ano de 2009 e os seguintes terão sem dúvida
momentos de uma completa reorganização, principalmente na indústria
gráfica onde os empresários gráficos terão forçosamente que deixar
de ser “míopes” para uma série de importantes assuntos que queremos
hoje abordar. A pior crise que vejo, é a crise de valores. Cada um
só enxerga seu “umbigo” e não se informa com relação ao “umbigo” do
vizinho. Leio em todos os meios de comunicação, que o ideograma
chinês que significa “crise” pode ser visto também como “oportunidade”.
Não tenho dúvida nenhuma que isso seja verdadeiro. Só que não
adianta ficar parado. Em momentos em que o “vírus” da crise ataca,
não podemos ficar olhando para ver o que acontece. Temos que agir
imediatamente. Os gestores da nossa gráfica terão que se informar do
que acontece dentro e fora da empresa (“umbigo”) para solucionar de
imediato os verdadeiros problemas a serem resolvidos. Budget e Fluxo
de Caixa são imprescindíveis.
Começamos pela prevenção de perdas na produção,
seja de material ou das horas improdutivas. Na área do material,
estão envolvidos os departamentos de qualidade e de compras. Na área
de qualidade, teremos que encontrar materiais e tecnologias, que
reduzam a perda efetiva do material e o tempo de set-up dos
equipamentos. A escolha certa dos papeis (ou outro substrato),
tintas e matrizes de impressão, são fundamentais para aumentar a
produtividade reduzindo o custo. O valor pago por estes materiais, é
assunto de uma real negociação entre as partes, onde o comprador
terá que entender a fundo a tecnologia adotada pela empresa ou se
assessorar com um elemento da área industrial.
Não devemos esquecer da área de custos fixos que
deverá ser totalmente revista e, através do Mapa de Custos e do
plano de negócios, estabelecidos os critérios de rateio e
depreciação. Também na hora do pré-cálculo, não devemos esquecer
nunca o confronto da margem de lucro com a contribuição marginal.
Muitos sistemas de gestão de custos, produção e vendas, como por
exemplo, os sistemas da Metrics, E-Calc, Calcgraf, Zênite, Bremen e
outros (cada qual apropriado para determinadas características e
tamanho da gráfica), estão disponíveis no mercado, para gerar
relatórios, que servirão para a tomada de decisão dos empresários e
gestores nos diversos aspectos de uma empresa gráfica. (Vendas,
produção, etc...).
A área de vendas merece neste momento uma atenção
especial. A equipe de vendas terá que conhecer muito bem seu nicho
de mercado, conhecer a capacidade e qualidade dos impressos
possíveis de serem vendidos pela gráfica para este ou novos nichos.
Os gestores da área comercial, não podem de forma alguma, abandonar
agora a necessidade de treinar a sua “turma” para que tenha uma
visão do mercado correto, a fim de não fazer visitas inúteis, para
que estes profissionais de venda tenham conhecimento pleno da
tecnologia adotada pela gráfica. Terão que saber também estes
vendedores, o que faz a concorrência, como e a que custo. O gestor
de vendas terá que deixar de ser “míope” e controlar seus comandados
em função de metas em volume e margens, bem como na visita de
clientes passíveis de retorno. Nada nos adianta um vendedor que
tenha em sua carteira 300 clientes. Certamente não dá tempo nem para
ligar para eles.
Sabemos que num primeiro momento, as grandes
companhias cortaram a publicidade, cortaram isso e aquilo. Sabemos
que já estão voltando lentamente e que a propaganda impressa, se bem
que de formas diferentes, retornará, pois a empresa só vende
divulgando seu produto e sabemos também que a mídia áudio-visual,
pelo menos neste momento não marca tanto quanto a mídia impressa. A
área de alimentos vem crescendo, apesar da redução da importação de
produtos brasileiros por parte de diversos países (principalmente
produtos cárneos e lácteos). No entanto, outros mercados estão se
abrindo e o crescimento do mercado interno é patente.
Estratégias distintas de sobrevivência marcam a
continuidade das nossas empresas gráficas, de pequeno, médio e
grande porte. O que infelizmente acontece com o micro e pequeno
empresário gráfico, é a grande ausência do comportamento
empreendedor e naturalmente do planejamento de seu negócio. Aliado a
isso, vem a deficiência de planejamento prévio. Este dono de
gráfica, na verdade, espera que o governo ou as associações e
sindicatos patronais de classe, dêem uma “mãozinha” para ele tocar o
seu negócio. Não se informa, não assiste cursos que muitas vezes são
levados quase de graça e ele pelo SEBRAE, SENAI, ABIGRAF ou mesmo
Sindicatos e ABTG, e só reclama de que as coisas vão mal.
O ano de 2009 depende única e exclusivamente de
nós. Para isso, precisamos ter a mente aberta para os novos
conceitos de administração, deixando de lado as coisas ultrapassadas
“faço isso há 30 anos e sempre deu certo...”. Nem sempre o ditado
“em time que está ganhando não se mexe” tem validade e este momento,
é o de mexer no time, ou seja, na maneira de administrar nossa
gráfica. Se não buscarmos imediatamente soluções atualizadas, o
preço que pagaremos pela nova realidade do mercado será muito caro,
podendo custar até a nossa sobrevivência. Estamos otimistas! –
Feliz... e próspero Ano Novo.
* Thomaz Caspary é
Engenheiro de Mídia Impressa, consultor de empresas e diretor da
Printconsult Ltda. (11) 3167-6939.
www.printconsult.com.br