Sistema de molha Offset

 

 

O sistema de impressão offset convencional utiliza o sistema de molha para diferenciar as áreas de grafismo e contragrafismo.
 

Nas áreas da matriz que recebem água não será depositada tinta, possibilitando a tintagem somente nas áreas de grafismo.

 

Sendo assim podemos pensar na importância de um bom e bem regulado sistema de molha, assim como o sistema de tintagem.

A boa conservação e regulação dos sistemas mencionados acima são indispensáveis para se obter e se manter uma boa qualidade de impressão.

 

Podemos também perceber que os principais problemas de impressão estão quase sempre relacionados com a falta de regulação e manutenção dos sistemas de tintagem e molha.

Não adianta apenas regularmos e mantermos o sistema em boas condições de uso, temos também que levar em conta os materiais e matérias primas utilizadas, como a chapa, a tinta, a solução de fonte, a água utilizada, o álcool (ou outro agente tensoativo substituto), entre outros.
 

Então podemos dizer que um bom andamento do processo de impressão dependerá basicamente dos seguintes factores: as condições mecânicas da impressora, a regulação dos componentes da máquina de impressão, os materiais e matérias primas utilizados e bons impressores.

Devido ao constante aumento da velocidade de impressão, e a utilização de formatos grandes, foi necessário o desenvolvimento dos sistemas de molha e tintagem (além das matérias primas utilizadas), para se poder imprimir em tais velocidades.

 

 

O que se espera de um bom sistema de molha:

 

- propriedade de variar o fluxo de água por zonas, pois as áreas de contragrafismo podem variar nos diferentes pontos da chapa;

- estabilidade na transferência da solução de molha, mantendo-se durante a tiragem;

- evitar a acumulação de tinta, mantendo-se sempre limpa;

- fácil manutenção, regulação e limpeza;

- não desprender partículas de fibras durante a impressão;

- curto tempo entre o ajuste de dosagem do sistema e a resposta na impressão.


 

 

Sistema de molha convencional (fluxo intermitente)

Diz-se fluxo intermitente pelo facto do rolo tomador realizar um movimento intermitente, ou seja, ora está em contacto com o alimentador recebendo água, ora está em contacto com o distribuidor passando a água para o sistema.

 

 

Este sistema foi um dos primeiros que apresentou um bom resultado, sendo ainda utilizado hoje em dia em muitas máquinas de impressão.

 

Embora sendo um sistema bastante eficiente, está a deixar de ser usado, devido à evolução e às vantagens dos novos sistemas.

 

 

As principais desvantagens deste sistema são:


- demora no equilíbrio entre água e tinta;

- maior dificuldade de alimentação por zonas;

- desprendimento de fibras de tecido;
- suja-se com maior facilidade;

 

 

Rolos do Sistema de molha:

 

Cilindro Alimentador: é um cilindro revestido geralmente de cromo (que é um metal bastante hidrófilo), e que têm a função de, através do giro que realiza, transportar a solução de molha da "banheira" para os demais rolos do sistema. É dotado de uma regulação que controla seu giro, podendo-se alterar o giro conforme a necessidade de maior ou menor volume de molha.


Rolo Tomador: é um rolo de borracha revestido com a camisa de moletom, que possui a função de receber água do alimentador e passá-la para o cilindro distribuidor.
 

Cilindro Distribuidor: este cilindro que também é cromado, possui a função de passar a água que recebeu do tomador para os rolos molhadores. Este rolo é fixo na máquina, sendo o único que está ligado, através de engrenagem, ao grupo de impressão.
 

Rolos Molhadores: são os rolos responsáveis pela molha da chapa, são em número de dois e também são revestidos por uma camisa de moletom. Possui regulações tanto em relação ao distribuidor como em relação à chapa.

Os molhadores e o tomador são facilmente retirados da máquina, para que possam ser lavados quando preciso, ou para realizar a troca do moletom.
 

 

Os rolos de molha e seus revestimentos:

 

No passado, o revestimento era constituído por uma dupla envoltura do moletom que se aplicava ao rolo por meio de uma costura muito fina.

 

A costura, ainda que bem realizada, poderia deixar marcas na impressão, especialmente nas áreas reticuladas, e com certo tempo de uso o moletom acabava se descosendo com o desgaste do fio.

 

Hoje em dia o revestimento não tem nenhuma costura. Está construído por um só tecido tubular, que garante uma maior duração. Pode ser elaborado das seguintes formas:

 

- de algodão (moletom) muito usado;

 

- de fibra especial;

 

- de papel especial, em tiras que se enrolam ao rolo. (praticamente não é usado).

 

 

Sistema de molha por Fluxo contínuo

 

Actualmente as impressoras offset à folha são fabricadas com uma tecnologia de molha por fluxo contínuo, oferecendo maiores vantagens que o sistema convencional. Os sistemas por fluxo contínuo eliminam alguns problemas típicos do sistema convencional, primeiro porque fazem a alimentação continuamente, pois não possui rolo tomador, e segundo por não possuir revestimentos de tecidos, e consequentemente há um armazenamento de águas nas fibras, permitindo uma rápida resposta na impressão aos ajustes na dosagem da solução de molha.
 

Neste sistema é utilizado geralmente um agente tensoativo, que tem a função de reduzir a tensão superficial da água, permitindo com isto a molha de uma área maior da matriz com a mesma quantidade de água, tendo como resultado o desenvolvimento da impressão com uma menor quantidade de solução de molha.

 

 

Actualmente é comum na indústria nacional o emprego de álcool isopropílico como agente tensoativo da solução de molha, mas uma tendência mundial aponta para a substituição do álcool por outro agente tensoativo, isso devido ao facto de que o álcool quando evapora liberta compostos orgânicos voláteis ( VOC ) extremamente prejudiciais para os impressores.

 

Esse sistema de molha por fluxo contínuo, devido a utilização do agente tensoativo, possibilita ao impressor utilizar menos água para realizar a molha da chapa, possibilitando com isso uma impressão com maior brilho, secagem mais rápida, menor variação de registo (dilatação), rápida resposta na regulação do volume de água e requer menos limpeza do que o moletom, etc.
 

 

Composição e característica dos sistemas 

 

O sistema de molha integrado não possui rolo molhador, como os demais sistemas, sendo que a transmissão da água para a matriz é feita do primeiro rolo tintador. Este sistema é chamado de molha por Emulsionamento.
 

 

Podemos mostrar além do sistema integrado, outro que envia a solução directo à matriz, possuindo rolos molhadores separados, ausência de rolo tomador e não possui revestimento de tecido.


 

Existe ainda o sistema combinado, que reúne características dos dois sistemas anteriores, ou seja, possui um rolo molhador independente e uma ponte de ligação do sistema de molha com a tinta. Esta ligação é possível mediante a acção do rolo intermediário, que faz a ponte de ligação entre o rolo molhador e o primeiro tintador.

 

 

Existe a possibilidade, em alguns tipos de sistema de molha, de fazer uma regulação de molha por zona (como ocorre com o sistema de tintagem), através de linguetas de borracha ou por sopro de ar.

No caso das linguetas de borracha faz-se o posicionamento das mesmas sobre o cilindro alimentador, deixando passar o volume de água normal quando desencostado ou diminuindo esse volume de água quando encostado (pode-se diminuir mais ou menos, conforme a pressão das linguetas no cilindro).

 

 

Já no caso do uso de ar ocorre o seguinte, existem vários sopradores que ficam acima de toda superfície do cilindro distribuidor ou sobre o rolo emulsionado, e quando se quer reduzir o volume de solução de uma determinada zona, abre-se o soprador correspondente à zona, reduzindo com isso o volume de solução na área que o soprador actua (evaporação / repulsão).
 

O volume de ar pode ser controlado.

 

 

Existem outros sistemas, porém de uso não muito constante.

 

 

Regulação dos rolos de molha

 

Assim como os rolos tintadores, os rolos de molha também possuem duas regulações, uma contra o distribuidor e outra contra a chapa.

 

As regulações são muito parecidas com as dos rolos tintadores.

 

A regulação contra o distribuidor permite que seja realizada uma passagem fina e uniforme de solução de molha, permitindo uma transferência uniforme de solução durante toda a impressão.

 

A regulação contra a chapa permite que toda a superfície da chapa seja perfeitamente molhada, ou seja, não deixando excesso de solução de um lado da chapa e favorecendo a formação de seco do outro lado; desgaste prematuro da matriz, velatura etc.

 

 

Requisitos para uma boa molha:

 

a) os rolos devem estar perfeitamente paralelos entre si, e não devem estar com pressão exagerada, nem com falta de pressão (molhador-distribuidor, molhador-chapa);
 

b) devem estar perfeitamente cilíndricos, não apresentando imperfeições na sua superfície;

 

c) os seus revestimentos devem estar limpos e não gastos.

 

d) devem estar perfeitamente regulados;

 

e) a solução deve apresentar PH e condutividade ideais. etc

 

Para comprovar a pressão dos rolos molhadores contra os distribuidores utiliza-se fitas de astralom ou lâmina de aço de 0,10 mm com 2 cm de largura e 20 cm de comprimento. Haverá maior precisão na regulação se os rolos estiverem secos.

 

A pressão dos rolos molhadores tanto contra a chapa como contra o distribuidor deve ser superior à pressão exercida pelos rolos tintadores, de 0,3 a 0,4 mm de penetração, pois para que ele possa humedecer alguma superfície é necessário que esteja em pressão, principalmente quando se trabalha com revestimentos de tecido.

 

Antes de começar a regulação, é necessário verificar que os molhadores estejam perfeitamente apoiados e travados nos seus suportes na lateral da máquina.

 

É aconselhável que o rolo inferior possua maior pressão contra o distribuidor, pois por ser o primeiro a entrar em contacto com a chapa este vai depositar uma maior quantidade de água em relação ao segundo, que por sua vez vai ter como função principal distribuir a água nas várias zonas da chapa acompanhando sempre o sentido periférico.


A regulação da pressão dos molhadores, principalmente em máquinas de grande formato, é mais precisa quando efectuada por duas pessoas. Esta regulação deve ser comprovada pondo a máquina em funcionamento e os rolos molhadores na posição de trabalho, e verificando por meio de tacto a vibração obtida nas duas extremidades do molhador, dada pela entrada e saída do vão do cilindro da chapa.

 

Obs.: a pressão dos rolos tintadores deve ser menor que a pressão dos molhadores, pois caso o contrário encontraremos no início da impressão uma tarja de tinta provocada pela regulação deficiente dos rolos tintadores e molhadores.

 

Para que se possa obter o máximo de desempenho da máquina de impressão, é necessário mantê-la sempre bem limpa e regulada, realizando-se periodicamente manutenção preventiva, afim de evitar maiores problemas.

 

 

Principais problemas relacionados com o sistema de molha / tintagem:

 

Problema

Causas mais frequentes

Possível solução

Ganho

de ponto

Exc. de pressão dos tintadores
Acumulação de papel no cauchu

PH / condutividade

Regular pressão dos rolos
Manter limpeza dos cauchu
Controlar os valores do PH e da condutividade

Seco

Exc. pressão dos entintadores
Acúmulação de papel no cauchu
Condutividade baixa
PH baixo (ácido)
Falta de solução de molha
Rolos molhadores sujos

Regular todos os rolos do sistema
Regular todos os rolos do sistema
Corrigir condutividade
Corrigir o valor do PH
Aumentar o volume de solução
Manter os molhadores sempre limpos

Velatura

Chapa com Sub-exposição
Chapa mal revelada/preparada
Temperatura da tinta
pH / condutividade
A tinta apresenta "sangria"

Controlar tempo de exposição (seco/velatura)
Controlar tempo e saturação do revelador
Não deixar tinta em temperaturas excessivas
controlar os valores do pH e da condutividade
Verif. reações da tinta c/ o álcool isopropílico

 


Artigo de Fernando Caparroz - Tecnólogo em Artes Gráficas

 

 

 

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